8.11.09
On the Road
24.10.09
Beatlemania
Mais um bloqueio. Normal, faz parte, nem ligo mais para esta falta de vocabulário, esta burrice temporária, a alma loira tomando conta de tudo o que me compõe. O querer escrever e não conseguir, ter vontade de desistir do projeto do livro, dos blogs, de tudo...
Felizmente eu sempre tenho companhias maravilhosas quando a musa decide se isolar no polo norte.
Sejam elas reais, virtuais ou artísticas. Dessa vez, pegou muito bem!
Já faz mais de uma semana que a Beatlemania me acometeu da forma mais grave.
Não consigo parar de escutar, tenho acessado tudo que a internet disponibiliza sobre eles, e o pior é que não sei de onde veio esse impulso, é algo mais forte do que eu.
Para mim, os Beatles, além de geniais, me recordam de um tempo em que a inocência era mais presente. E reforçam a minha noção de que eu nasci na época errada!
Para celebrar essa presença ilustre na minha vida, eis que compartilho com vocês uma das músicas que eu mais curto dos rapazes de Liverpool.
Cheers!!
P.S.: Yellow Submarine é sempre um deleite!!
16.10.09
Blog Action Day - Mudanças Climáticas
7.10.09
Volver a los dieciocho
A nossa idade é a soma do nosso espírito, jovem ou velho, com o que o nosso corpo aparenta. Nossas experiências, alegrias, tristezas, tudo isso está impresso na alma e na carne. De nada adianta ter o visual mais moderno, bem cuidado e jovial do mundo e ter o espírito carregado de coisas ruins e que envelhecem. O contrário também se aplica - um espírito de juventude, por si só, não dá conta de levantar um corpo cansado e "detonado". Sendo assim, é necessário cuidar bem das duas partes.
Dentro de dez dias completo vinte e sete anos, entrando na estrada sem volta rumo aos três-ponto-zero. Isso parecia algo ruim, e eu me sentia uma velha, até que decidi passar uma semana com meu primo e seu roomate, ambos na "flor da idade" universitária, dezoito aninhos, no ápice do desapego, da vontade de curtir, da sede por conhecimento e aventura. Desnecessário dizer que fui contagiada por esse espírito de uma vez por todas, e que o complexo de idosa foi embora, dando lugar à nostalgia e às boas lembranças. Junto com elas, a minha vontade de voltar a ser adolescente, sem, é claro, abrir mão de tudo o que aprendi e cresci nestes anos todos. A vontade de fazer transparecer o espírito divertido, que não tem vergonha de sorrir, errar, chorar, viver sem amarras, fazer perguntas, voltar atrás... O espírito que se permite e que não leva as coisas tão a sério.
Tenho a impressão de que a sociedade nos exige uma postura excessivamente adulta após os 20 e tantos anos. Como se, ao terminar a faculdade, recebêssemos uma pasta e um terninho, e pronto, aí está a sua vida, é a isso que você se resume. Temos que ter o emprego dos sonhos (de quem?) , a carreira dos sonhos, o namorado dos sonhos, o corpo dos sonhos.... Tudo tem que estar a meio caminho andado.
Well, guess what? Aqui as coisas mal começaram.
Mandei às favas esse desespero, essa pressa para tudo, o franzir a testa e guardar o brilho dos meus olhos na gaveta. A nostalgia triste abriu caminho para o desejo de manter sempre este meu espírito adolescente, de aventura, descobertas, um pouco de inocência e vontade de mudar o mundo. Sem complexo de Peter Pan. Abraçando as responsabilidades e até mesmo os problemas com menos rigidez, de forma mais serena e suave. Um passarinho me contou que se preocupar demais dá rugas, envelhece e deixa a gente chato. Outro, ainda, me disse que essa ditadura do tempo é mais do que irrracional, já que o mundo não gira em torno do nosso umbigo. É importante trabalhar, estudar, e tudo o mais, porém o "viver" vai além de simplesmente ter uma carreira (seja lá o que isso signifique) e ser bem sucedido. Nossa geração deseja viver mais de cem anos para poder aproveitar um pouco mis a vida, já que trabalhamos até quase os setenta. Repito, é irracional....
Mas a juventude, quando nos acompanha, quando está dentro de nós, nos ajuda a notar melhor as nuances das possibilidades. Para nós, mais velhos, parece que tudo será mais ou menos previsível, mas para os adolescentes, tudo pode acontecer.
E esta é a beleza de se ter dezoito anos. Mesmo quando o RG indica quase dez a mais....
Nota: Aproveito o falecimento de Mercedes Sosa e faço a ela uma singela homenagem com este título e com a música que segue, que fez parte da minha infância e adolescência, e que sempre me faz sentir fluir a juventude dentro de mim. Que todos nós saibamos manter nosso espírito de los dieciocho, diecisiete ou à idade que nos manterá jovem eternamente.
28.9.09
Medúlla
Olho para frente, para os lados, está aqui, esta parte líquida de ser, um milésimo da sua essência, agregado a tantas outras partes que derretem e se petrificam num constante fluir de imagens que torcem-retorcem, batem, pulsam. Quem, quem, quem? O pulso de mil cavalos correndo pelos prados do meu peito. Não param, disparam as incertezas em direção ao horizonte dos meus olhos. Mas eu não vejo, esta coluna de fumaça e aço. Frágil como água limpa, resistente como o mais forte dos alicerces. De sons angelicais e sublimes, vestidos de branco e preto.
Isto me eleva, traz a sorte de não cair e permanecer intacta, em ordem de batalha. É uma lança, um punhal, a mão do carrasco que açoita os nervos e me leva a proferir as palavras - nem sempre tão certas - e guardá-las em uma caixa, uma a uma, envoltas em espera. Esta é a mão que me conduz. Forte, impulsiva, que afasta dos olhos a trave que me cegava. Grande, imponente. E, no entanto, invisível, só pode ser percebida pelos que creem na ciência e temem a morte. Esta é a coluna que me ampara quando meu ser balança, daqui para lá, como em ondas de gelo e mar. Enquanto a alma, vazia, vela pela voz de veludo que sussurra para onde ela deve regressar, lá está o pilar que me incomoda. E me suporta. Não vai embora, nunca.
E, de tão invisível, cansada de esconder-se, esta viga de sustentsação se atreve a me olhar nos olhos neste instante. E me diz olá, com a mais infantil naturalidade e supondo o que não deveria supor. É parte de mim, e não a conheço, é transparente e translúcida, não a consigo enxergar, e ela se desespera, balançando de um lado para o outro os braços de metal, afiados e grossos.
Quem é esta, isto, este ou aquilo que me comprimenta nestas horas de abismo, farfalhando seu manto prateado e ondulando o cetim preso em seus cabelos, com a força do vento? É uma salvação, um aleluia que grita dentro da alma silenciosa. Um fluir de mar sem sal. É de todas as cores que existem, e mais as que ainda não foram criadas. É sono, despertar e paz. Guerra, não, mas leva a minha inteligência a duelar com o meu coração. Ela existe, esta pilastra, esta coluna de fogo, para que eu não me desmonte e eu existo para que ela possa viver. É assim - uma mão que segura a outra. E ela me levanta, todos os dias, sorridente, para me tornar cada vez mais semelhante ao que chamam de pessoa. Com alma, plena. Sem se deixar esvaziar...
23.9.09
Meu lado House
Mas nem só de defeitos, ou virtudes negativas, se preferir, nosso contraditório amigo é composto. Ele é a típica personificação do cara valente, que é mais sensível do que todos os outros seres às questões humanas, que sente e sofre muito, mas, por ter quebrado a cara - a sua e as dos outros - diversas vezes, perdeu a fé. Adotou a máscara como verdade absoluta - o que, aliás, ele persegue com fervor. Engraçado, logo ele que é tão cínico e descrente, demonstra um ardor quase asceta quando se trata de descobrir a verdade - ainda que disfarçado por uma incessante necessidade de provar que está sempre certo.
Tenho acompanhado todas as temporadas, desde sua estreia, e devo dizer que a cada episódio eu me apaixono mais e mais por este cara tão complexo, e por todas as suas facetas. O que me ajudou a aceitar que não adianta, ninguém é perfeito, e a verdadeira virtude do amor é aceitar estas imperfeições, com serenidade, praticamente agindo como o Dr. Wilson, melhor amigo de House, ou mesmo como Cuddy que consegue ver além destas máscaras.
Ontem, ao assistir ao primeiro episódio da tão aguardada 6ª temporada, me identifiquei demais com o lado mais mulherzinha do nosso rabugento doutor. Não preciso dizer que me acabei em prantos madrugada adentro... O início desta temporada exibe uma prévia do que provavelmente será o tema central daqui pra frente - a recuperação da fé, da humanidade, da capacidade do médico em acreditar e confiar nos outros, e também em si mesmo. Vemos aqui um Greg mais maleável, que reconhece sua doença e finalmente pede ajuda - o que já ficava mais evidente nas últimas duas temporadas.
Acontece que fui tomada por um inevitável reconhecimento.
Acredito que todos nós temos um lado "House". Aquela parte ranzinza, sempre sobrevoada por uma nuvem negra, masoquista, narcisista, maquiavélica. Aquele pedaço que insiste em tornar todo o resto podre e sujo, e ao qual nos agarramos por termos medo ou por qualquer outra desculpa, para fingir que estamos no controle de todos os aspectos de nossa existência.
Entre uma lágrima e outra, assistindo a esta nova fase do meu personagem favorito, cheguei a esta breve conclusão: meu lado House também precisa de ajuda. E, de fato, já estou em fase de transição.
Como Greg, quero recuperar a minha fé na humanidade e, principalmente, em mim mesma. Superar as merdas da minha vida, e parar de tentar consertá-las. Reconhecer o fracasso e pronto, concentrando minhas energias nas minhas conquistas, somente. Admitir que eu tenho os meus defeitos, aceitá-los, conviver com eles e desejar, de verdade, ser feliz, melhor, mais viva. Ser capaz de me abrir para o mundo. Parar de fingir que as pessoas são normais, e que o sistema é que as oprime - apesar de isso ser verdade em alguns casos, na maioria das vezes as pessoas simplesmente são doentes, precisam mesmo de socorro. E, por fim, deixar de lado, de uma vez por todas, essa síndrome inútil de "Freedom Master" (spoiler, quem viu o episódio vai entender...). Eu não tenho superpoderes e nem todo mundo tem salvação. Contudo, no fim das contas, é sempre possível enxergar além do que os olhos alcançam, e notar que pequenos gestos são, sim, propícios para a redenção dos que necessitam de auxílio.
Everybody Lies. Sim, todo mundo mente, é um fato. Porém, pior mentira é quando enganamos a nós mesmos. E é justamente desse lado House que eu quero me livrar...
Recomendo a todos assistirem a esta série, é um ótimo caminho para compreendermos melhor a natureza humana.
Você pode baixar este episódio aqui.
19.9.09
São Paulo, Pearl Jam e alguns livros
Sobreviver a esta semana foi um colossal desafio intelectual, espiritual e afetivo para esta pessoa que vos fala. Eu diria até que foi uma das semanas mais árduas que já tive desde que saí de Santos. A solidão pegou geral, tive insights geniais, porém enxarcados de memórias que eu gostaria de evaporar da minha imaginação, trabalhei que nem uma condenada e fui acometida por uma insônia desesperadora. Quase quatro dias sem dormir, não há mente que aguente! Para minha agonia, São Paulo me aguardava na sexta-feira...
Pois a sexta chegou, com a expectativa de livros, encontros com amigos, e um pouco de sono, com a bênção de Morfeu. Entrei em contato com todo o caos de Sampa, me senti dividida entre o fugere urbem e a cidade que não dorme, olhei meu rosto no espelho e percebi que não sou a mesma há algum tempo. Enfrentei o stress com maturidade e calma, consegui recuperar o sono perdido, ensinei a mim mesma como sorrir verdadeiramente, ainda que eu esteja um pouco triste. Vestir a máscara, e deixar que aos poucos ela molde o meu rosto, transformando-o num enorme sorriso sincero. Decidi que não vou mais lamentar o amor que "ele" sente por outra, mesmo sentindo tudo o que sinto. E que o meu livro é a minha prioridade daqui pra frente, ainda mais importante do que o meu trabalho que, for better or worse, é a única coisa, depois de Deus, que me faz companhia todos os dias....
E hoje, neste sábado confuso, cheio de perfumes, sonhos, anseios, saudades, palavras entaladas na garganta, presas nos dedos, loucas para saltarem para o papel, resolvi, assim como quem não quer nada, escutar o novo cd do Pearl Jam, Backspacer, pelo qual aguardei ansiosamente desde o início do ano. Devo confessar que foi a melhor coisa da semana. Do mês. E, por quê não?, do ano. Um desfecho redentor para uma pessoa cansada, carente e que precisava de um afago, ainda que "virtual", de um amigo da alma que sequer imagina que eu existo. Pois os amigos reais têm suas vidas e a máscara de pessoa forte, feliz e de bem com a vida colou no meu rosto, de modo que não consigo mais desabafar, chorar as pitangas, nem nada. Só aqui mesmo. Só no virtual.
É bom. Essa coisa de reclamar da vida já deu, não leva a nada.
Eu tenho cinco novos livros, os quais estou louca para devorar ávidamente, tenho Backspacer, tenho São Paulo, arte, e um espelho gigante para refletir as mudanças às quais humilde e alegremente me submeto.
Tenho a Primavera, que apressa a vontade de amar, e que desabrocha as flores do meu jardim.
Tenho o cansaço que dissipa a insônia, e tenho esperança. Por mais pessimista que eu pareça às vezes, eu acredito que as coisas sempre melhoram, e que a vida nos testa, nos judia, para ver se a gente é fiel o suficiente para receber as grandiosas dádivas que estão reservadas logo mais adiante. Para ver se os nossos olhos conseguem enxergar a beleza em meio ao caos - aquela florzinha frágil e delicada que nasce no meio do entulho, o passarinho pousado no fio de alta tensão da Avenida do Estado, os Ipês da Marginal Tietê. Se nós somos capazes de agradecer pelas coisas boas, especialmente quando elas parecem escassas.
Eu tenho fé que o Pearl Jam vai voltar pro Brasil, que os meus recém-adquiridos livros serão cruciais para a composição da minha criação literária, que vou conseguir conciliar a metrópole com o interior e encontrar um lugar e um alguém onde eu possa repousar a minha alma.
Sim, eu tenho fé, tenho esperança. Porque se elas morressem, nem Pearl Jam, nem São Paulo, nem os livros, muito menos um amor, me fariam continuar...













