...os pássaros se aninham sob o meu telhado. Os vasos de flores balançam seus ramos com um ritmo nervoso, seus botões mais preciosos se desprendem de seus delicados galhinhos e caem no chão. O telhado soa como os tambores de uma bateria de escola de samba. Congelados, os pés se esfregam uns contra os outros debaixo da mesa. A vó faz bolinhos de chuva. A única vontade que dá o ar da graça é a de ficar embrulhada no edredom, na companhia de um bom livro e uma caneca interminável de chocolate quente. Fica difícil terminar meus artesanatos. Impossível contemplar a lua que estava cheia e reluzente na noite passada. Sair de casa, nem pensar. No máximo, o quintal. O que me lembra que este é um mundo à parte. E sábado é igual a todos os outros dias da semana. Ou melhor, é segunda-feira aqui deste lado. Mas infelizmente neste universo paralelo também chove. E então eu venho para esta realidade virtual. E tudo volta a cair do céu. As gotas, os pensamentos, os desejos. Por vezes, o céu desagua em canivetes. Em outras, dele caem rãs. E o meu telhado continua a compor sua sinfonia ritmada, tilintando no alumínio, gotejando pelos quase imperceptíveis buraquinhos que os passarinhos confeccionam todos os dias. A caneca, com o chocolate, o edredom, com o livro.
Quando chove eu não sei como escrever.
Eu sei o que quero escrever. Mas as palavras ficaram molhadas.
Meu pensamento está lá em cima, preso nas nuvens, pronto para cair a qualquer momento.
O problema é que eu não consigo ter inspiração ao som desse samba de alumínio.
Talvez eu preferisse estar na praia, mas não é bem isso. É um "ai".
O presságio de um sol que está bem mais próximo do que se espera.
Sol, e não praia. Sol nos campos de trigo.
Quando há chuva e frio no interior eu me entrego ao nada fazer.
11.7.09
Quando há chuva no inverno...
29.6.09
Mi sangre latino
Há uma semana estou transcrevendo horas e horas de estrevistas em espanhol, e confesso, estou a um passo da loucura. Não estou muito acostumada com este idioma, e sofri um pouco no início para, digamos, "pegar no tranco". Algumas palavras eram como grego para mim, eu precisava voltar o áudio cinquenta mil vezes para entender o que raios aquele povo estava falando, mas agora tudo está fluindo perfeitamente. E a praga latina, o "mal de Montezuma", se instalou em mim.
Sonho em espanhol, só tenho vontade de ouvir músicas com raízes cucarachas, nos raros momentos em que me encontro em frente à TV dou preferência por coisas relacionadas ao idioma, me pego soltando palavras como "coño" e "pendejo", sinto vontade de comer tacos, beber litros e litros de tequila, dançar flamenco, bater minhas castanholas como se eu soubesse o que estou fazendo, enfim, meu sangue está fervendo com sabor de chilli e enchilada.
O lado positivo disso tudo é que nunca estive tão fluente em espanhol.
Começo a cogitar uma viagem pelos países latino-americanos.
No me importa ni un poquito la gripe A (eu preferia gripe suína...), no Brasil a coisa também está bem feia!
Enquanto no tengo plata, fico aqui me deliciando com Borges, Fito Paez, Buena Vista Social Club...
Hasta luego!
25.6.09
Essa casa não é minha, nem é meu esse lugar....
Não adiantou. Eu tentei não escrever esse texto, mas não dá, a minha cabeça está rodando como se eu tivesse bebido dez mil litros de cachaça. Acabo de dizer tchau, apenas um breve tchau aos meus amigos mais queridos dessa cidade. E dói. Como dói se despedir de uma vida inteira de lembranças, mesmo as piores que se possa imaginar. Essa choradeira de despedidas acaba comigo. E eu que pensei que já tivesse chorado tudo nas semanas anteriores...
Há um ano me mudei para essa casa. Esse quarto. Esse pedaço de liberdade e desespero, de juventude e sabedoria. Nunca fui tão plena e tão vazia quanto neste período. Minha vida se preencheu de vida e morte, eu aprendi tudo o que precisava aprender, nasci de novo, me encontrei, me perdi, cresci, e agora estou nascendo mais uma vez. Partindo para uma cidade onde não conheço ninguém além de meus pais, onde eu enxergarei o mundo com olhos de criança. Foi muito gratificante viver tudo o que vivi, apesar das tristezas e das lágrimas mais do que sofridas. Depois de tudo o que se apresentou nestas semanas de despedida, eu percebi que fui muito ingrata. Desmereci a sorte grande que tirei. Não enxerguei com bons olhos. E por isso peço desculpas.
Mas agora, em que me restam poucas horas nesta cidade, eu quero dizer tchau com todas as letras. Deixar para trás tudo o que eu devo deixar. Em especial as pessoas, que me fizeram bem e mal, em igual proporção. Aquele abraço para todos.
E para os que permanecem, este é apenas um "até logo".
Tudo já está empacotado, e agora eu não tenho mais a "minha casa". Tenho a "casa dos meus pais". Que ela seja meu abrigo, minha proteção e meu refúgio até o destino decidir que é hora de voar novamente.
Vou sentir muitas saudades. Das minhas flatmates, que, apesar de todas as brigas, me ensinaram a ser menos egoísta, menos neurótica e a amar sem ter motivos concretos. Da praia, dos lugares, dos encontros ao acaso, das noites e dos dias com os amigos, da banca de jornal, do mercado da esquina da minha casa, dos sorrisos conhecidos, do barulho dos carros aqui na Praça Independência e do chorinho de sextas-feiras da Realejo. Vou sentir saudades de sentar no banquinho da garagem do meu prédio e observar o movimento. Das memórias que o meu quarto me traz. Dos telefonemas. Dos porteiros sempre alegres e simpáticos. dos velhinhos que moram aqui no prédio. Da minha janela tosca. De tudo, tudo mesmo....
Eu não quero ficar, mas também não quero ir.
Meu coração está apertado. Minhas coisas estão bagunçadas. E eu agora estou muito embriagada para escrever alguma coisa com sentido.
Mas é isso. Assim me sinto. Encolhidinha e com vontade de abrir os braços e levar tudo e toda essa cidade comigo.
É foda mudar. As mudanças me animam, mas também me matam.
Quero que essa travessia seja suave.
Tchau, Santos. quem sabe um dia eu volto....
14.6.09
Rocky Road to Dublin
Recebi este vídeo por email hoje. Meu sangue irlandês, que não tem nada a ver com minha árvore genealógica, ferve ao ouvir essas coisas maravilhosas. Praticamente um trava línguas acompanhar a letra dessa música - in fact, uma boa maneira de aprimorar o inglês.
Rocky Road to Dublin
words and music traditional
In the merry month of May, From my home I started,
Left the girls of Tuam, Nearly broken hearted,
Saluted father dear, Kissed my darlin' mother,
Drank a pint of beer, My grief and tears to smother,
Then off to reap the corn, And leave where I was born,
I cut a stout blackthorn, To banish ghost and goblin,
In a brand new pair of brogues, I rattled o'er the bogs,
And frightened all the dogs,On the rocky road to Dublin.
One, two, three, four five,
Hunt the hare and turn her
Down the rocky road
And all the ways to Dublin,
Whack-fol-lol-de-ra.
In Mullingar that night, I rested limbs so weary,
Started by daylight, Next mornin' light and airy,
Took a drop of the pure, To keep my heart from sinkin',
That's an Irishman's cure, Whene'er he's on for drinking.
To see the lasses smile, Laughing all the while,
At my curious style, 'Twould set your heart a-bubblin'.
They ax'd if I was hired, The wages I required,
Till I was almost tired, Of the rocky road to Dublin.
In Dublin next arrived, I thought it such a pity,
To be so soon deprived, A view of that fine city.
Then I took a stroll, All among the quality,
My bundle it was stole, In a neat locality;
Something crossed my mind, Then I looked behind;
No bundle could I find, Upon my stick a wobblin'.
Enquirin' for the rogue, They said my Connacht brogue,
Wasn't much in vogue, On the rocky road to Dublin.
From there I got away, My spirits never failin'
Landed on the quay As the ship was sailin';
Captain at me roared, Said that no room had he,
When I jumped aboard, A cabin found for Paddy,
Down among the pigs I played some funny rigs,
Danced some hearty jigs, The water round me bubblin',
When off Holyhead, I wished myself was dead,
Or better far instead, On the rocky road to Dublin.
The boys of Liverpool, When we safely landed,
Called myself a fool; I could no longer stand it;
Blood began to boil, Temper I was losin',
Poor ould Erin's isle They began abusin',
"Hurrah my soul," sez I, My shillelagh I let fly;
Some Galway boys were by, Saw I was a hobble in,
Then with a loud hurray, They joined in the affray.
We quickly cleared the way, For the rocky road to Dublin.
13.6.09
Sweet sweet sweet
Dia dos namorados. Algo no ar me dizia para não sair de casa, ficar quietinha, ler um livro, whatever. Mas a tentação de sair e tentar ser uma pessoa normal falou mais alto. Então, me vesti com a roupa mais bela e confortável, entreguei a neura para o universo e fui cair no suingue pra me consolar. Samba rock, algo que não me agrada muito, mas em consideração a uma amiga fiz uma concessão. Vamos lá, Anana, quem dança seus males espanta. Esta é apenas mais uma sexta-feira, como outra qualquer. Com a cara e a coragem, segui rumo a este destino maluco.
E logo que cheguei no bar, me deparei com o Sr. X aos beijos com a tal mulher que ele disse que valia a pena, para a qual ele quer ser um bom moço. Porque ela vale a pena, e eu não. Tremi. Quase caí, na verdade. Tive vontade de morrer, sumir, sair correndo, mas a mulher que vos fala não perdeu a pose. Não. Subiu ainda mais no sapato de salto e sambou. Sambou como se estivesse desfilando na praça da Apoteose. Passou por ele várias vezes e num fatídico momento fez a simpática com a rapariga no banheiro. "Adorei sua tatuagem", disse ela. Quase respondi "É, seu namorado também gosta". Sr. X, observando de longe, lançou um olhar de "Ai meu Deus", ficou branco, quase suou frio, acho que pensou que eu falaria alguma coisa, faria cena, sei lá. Mal sabe ele o tipo de mulher que eu sou. Daquelas que sabem manter a postura, quase sempre, principalmente nos momentos mais cruciais. Nessas horas eu sou fria, cínica e falsa, e faço amizade com a oficial para ver o cara tremer de medo. Ainda mais porque eu sei que ele não vale cinco minutos do meu tempo. O que dirá fazer cena por causa dele. Affe.
A vida ali naquele momento parecia se desfazer. Meu mundo caiu, de verdade. Ele beijando a guria com paixão e eu ali, sem saber pra onde correr, por vergonha ou qualquer sentimento parecido. Nem para o banheiro eu podia ir, porque para alcançar tal façanha precisaria passar pelo casal de pombinhos. Mas Deus gosta de mim, eu acho. Me deu a oportunidade de virar o jogo. Uma conhecida disse as sábias palavras "Para de se lamentar por esse cara, te garanto que tem vários outros agora te admirando e você nem nota. Além de tudo, ele é feio". Ele não é feio, minha gente, mas, enfim... E eu pensei comigo Ah, até parece que tem alguém me olhando. Segundos depois desta sábia frase, me deparo com o lado negro da força. Um meninote com a carinha do Hayden Christensen -pra quem não lembra, o jovem Darth Vader dos episódios iniciais de Star Wars. Meu lado Nerd quase entrou em colapso quando o rapaz colocou cerveja no meu copo, "Dança comigo, gatinha?". Gatinha? Quase ri na cara do rapaz. E com uma cara de interrogação, dancei. A dança da redenção. Vi a cara do Sr. X de otário ao me ver com o Darthzinho na fila do caixa, beijando minha mão, me abraçando e com cara de desconfiado-ciumento olhando pro Sr. X. Uma doce vingança, posso dizer. Um amorzinho de moço com nome de anjo, enquanto o Sr. X namora a morena do tchan do morro (ok, peguei pesado, ela é ajeitadinha). Não sou uma mulher recalcada nem nada, muito menos hoje, em que tive meu momento de glória mais do que merecido ao fisgar um sósia de galã de Hollywood, cheiroso e com olhinhos claros como um dia de sol, acreditando mais do que nunca que sempre é possível evoluir nas escolhas, principalmente no quesito beleza. É isso mesmo, eu sou uma mulher elegante, inteligente, charmosa. E se eu não valho a pena para esse infeliz Sr. X, ele que se contente com o que consegue por aí. E enquanto eu flertava com o Darth Vader cover, e pensava "Nunca vou conseguir", eu estava muito enganada. De novo, a coisa de me colocar abaixo dos outros. Toma, Sr. X. Foi você que ficou com cara de bunda ao me ver na fila do caixa do bar, que fez questão de me cumprimentar ao me ver com o galãzinho enquanto eu te ingnorei a noite toda, que desprezou o ouro pra comprar o latão, entre outros clichêzinhos que não cabem nesse momento. Agora eu estou com vontade de continuar saboreando essa vingancinha que o Universo, maravilhoso, bizarro, sem noção, me proporcionou. Passei a noite do dia dos namorados com um cara fofo, gentleman, que dançou comigo o tempo todo e me fez sentir uma mulher de novo e que ainda por cima fez toda questão do mundo de ficar do meu lado , ir embora de mãos dadas, abracinhos e tudo mais. Coisa de namoradinho, que o Sr. X nunca fez comigo. E eu pensava que ele me tratava bem. Céus, como a gente se engana quando está apaixonada.. E como é doce sentir e saber que a vida pode ser gostosa de novo, em apenas uma fração de segundos em que você se permite desapegar do que é velho, ruim e entediante e dá lugar para as reviravoltas do destino.
Obrigada, meu Deus, por essa noite. Por essa oportunidade. Quando a gente pensa que tudo está na merda, e que as esperanças acabaram, vem um sopro de luz, ainda que momentâneo, para tirar a gente do buraco. Posso nunca mais ver esse rapaz fofo que - mal sabe ele - me ajudou a enfrentar com dignidade e cabeça erguida essa noite que tinha tudo pra ser um lixo. Só este sentimento me basta. Sentir que eu ainda estou viva e que tudo o que tenho para viver daqui para frente será ainda mais gratificante e delicioso. E também o orgulho de mostrar pro Sr. X que eu não estou chorando em casa que nem besta por causa dele, como ele talvez pensasse. Se tivesse dado certo com ele, eu ficaria estagnada, talvez até ganhasse o Darwin Awards por alguma esrtupidez. Mas não, eu estou livre. Para mudar, conhecer gente que pode valer a pena, gente que me percebe e que sabe que eu valho a pena. Ah, a doce vingança e a doce sensação do novo que está por vir. Vai ser melhor, muito melhor. Agora sim, eu acredito!
8.6.09
Love song for no one
Eu te amo, porque você sabe como me fazer feliz e aceita o que eu tenho para te dar. Você já sabia qual era minha flor preferida sem eu precisar te dizer, conhece todos os meus gostos, meus sonhos, meu jeito, entende minhas neuras e acha graça quando faço manha. Você faz massagens como ninguém e dá risada das minhas piadas idiotas. Porque você também conta piadas idiotas. Quando você está triste, me procura, quando está feliz também. Você me liga para dizer que sente saudades, mesmo quando acabamos de nos ver, e faz questão de me incluir nos seus planos e na sua vida. Eu quero estar do teu lado, sempre, dividir as coisas mais importantes e as absurdamente insignificantes, apenas por que você é você. Você me aconselha quando me vê errar e me elogia quando faço algo especial ou quando mudo o visual. Nos encontramos quando ambos estávamos cansados de procurar, quando as esperanças haviam acabado. Seus olhos enxergaram a minha alma e sorriram para mim, e você acolheu o meu amor quando eu já não acreditava mais nessa palavra. E a paz que transborda desse amor é algo quase possível de se tocar, de tão forte e permanente. Eu te quero cada vez mais, e te aguardo ansiosamente - se você diz que vem às cinco horas, desde as três minha alma se alegra. Eu amo você com todos os seus defeitos, porque você me faz ser uma pessoa melhor e tenta sempre dar para mim o que tem de mais precioso. Você é lindo. Pena que eu ainda não te conheço...
John Mayer - Love Song for no one
Staying home alone on a Friday
Flat on the floor looking back
On old love
Or lack thereof
After all the crushes are faded
And all my wishful thinking was wrong
I'm jaded
I hate it
I'm tired of being alone
So hurry up and get here
So tired of being alone
So hurry up and get here
Get here
Searching all my days just to find you
I'm not sure who I'm looking for
I'll know it
When I see you
Until then, I'll hide in my bedroom
Staying up all night just to write
A love song for no one
I'm tired of being alone
So hurry up and get here
So tired of being alone
So hurry up and get here
I could have met you in a sandbox
I could have passed you on the sidewalk
Could I have missed my chance
And watched you walk away?
Oh no way
I could have met you in a sandbox
I could have passed you on the sidewalk
Could I have missed my chance
And watched you walk away?
I'm tired of being alone
So hurry up and get here
I'm so tired of being alone
So hurry up and get here oh yeah
I'm tired of being alone
So hurry up and get here
I'm so tired of being alone
So hurry up and get here
You'll be so good
You'll be so good for me
6.6.09
Fake Plastic People
Engraçado como a vida se encarrega das coisas. Faltando menos de um mês para eu sair dessa cidade de uma vez por todas, parece que o universo resolveu me dar uma forcinha. Todas as pessoas que eu pensava que eram importantes para mim, que eu imaginava que faziam parte da minha vida e que compartilhavam algo comigo, foram bruscamente retiradas da minha lista de amigos ou do meu convívio. Salvo algumas poucas e (graças a Deus) maravilhosas exceções, tudo conspirou para este desligamento, mesmo que eu tenha lutado e tentado fazer o contrário. O amor quase platônico que eu sonhava como sendo o homem perfeito para mim, que eu pensava que era minha versão masculina, o amor da carne que me procurava com carinho e charme apenas para satisfazer suas necessidades, a amiga de dez anos que mostrou uma imensa falta de consideração, os colegas e conhecidos que não agregavam nada além de sorrisos amarelos em mesas de bar. Tudo, tudo mesmo ruiu. Se fosse há algum tempo, talvez eu estivesse triste, chorando, lamentando, porém agora só consigo agradecer. Deus sabe mais do que eu o que é melhor para minha vida. Estar perto do que me faz mal só ajuda a perpetuar a ridícula persona de Madre Teresa, de amiga resignada, de mulherzinha idiota e apaixonada sem ter nada em troca, que aceita tudo, que acredita que essas pessoas valem algo mais do que realmente valem e que existe algo escondido por trás das entrelinhas. Não existem entrelinhas em pessoas rasas, Anana, acorda! Está mais do que na hora de reformular todas estas idéias, todos os meus conceitos ridículos, essa mania de sempre querer fazer algo pelo outro, de qurer conquistar amigos, homens, pessoas que não me querem como parte de suas vidas, e esquecer o quanto me faz mal conviver com um cara que eu amo, mas que não sente o mesmo por mim e que simplesmente não me deixa fazer parte da vida dele, com uma amiga a quem me dediquei absurdamente e que não deu o mínimo valor à minha amizade, e com um outro cara que diz que sente minha falta mas que desaparece a todo momento porque não tem coragem de se envolver comigo, de aceitar o meu amor. Eu cansei. E agora nada mais me importa a não ser resolver as burocracias para sumir dessa maldita cena em que me encontrava. Mudar os endereços, empacotar tudo e ficar do lado de quem realmente me ama. Minha família. E poucos sortudos que daqui pra frente terão, como sempre tiveram, meu amor incondicional. Cansei das pessoas que não se envolvem. Cansei de passar a mão na cabeça de quem não se enxerga e que não se permite crescer. Cansei de me sentir desvalorizada, indigna, feia, e todo o resto que senti nos últimos meses. O que me surpreende é perceber que isso não dói como eu pensava. Apenas consegui a coragem para retribuir a enorme indiferença que todas essas pessoas emitiram para mim. O famigerado espelho. Talvez para elas não faça diferença alguma, já que são ocas como um ovo de páscoa barato. Para mim, essa atitude foi crucial neste período de transição. Deletei a porra do orkut, que não servia para nada além de me aborrecer profundamente. Fiz uma faxina no MSN e no celular. Estou disposta a deixar o que passou no passado e ter esperança de que o novo será infinitamente melhor. Essa história de achar que eu sou menos do que os outros já era, virou cinzas. Eu sou mais eu, e quem não merece não está em nenhuma lista de amigos, sejam listas virtuais ou círculos reais de amizade.
Odeio pessoas de plástico. Como sempre digo, eu sou feita de carne, osso, coração, emoção e alma. Quem não tem culhão para encarar isso, favor manter a distância. Ela é mais do que bem vinda para vocês que não sabem o que é o amor, em qualquer uma de suas manifestações.